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Em meio a onda de críticas, Fifa nega interferência política em caso Balogun

A Fifa divulgou nesta segunda-feira uma nova nota oficial negando interferência política na decisão que suspendeu o gancho de um jogo aplicado ao atacante Folarin Balogun, da seleção americana, horas antes do confronto das oitavas de final contra a Bélgica, no estádio de Seattle. O caso já havia gerado polêmica no fim de semana, quando a Fifa suspendeu a punição — pelas próprias regras da entidade, suspensões de um jogo como essa normalmente nem comportam recurso, o que tornou a reversão ainda mais incomum.

Nesta segunda, o presidente americano, Donald Trump, confirmou ter ligado para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, para pedir uma “revisão” do cartão vermelho mostrado a Balogun na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, ainda que tenha negado ter determinado o resultado da decisão. Infantino, por sua vez, confirmou a ligação, mas afirmou que explicou a Trump que o caso seria decidido pelos órgãos judiciais independentes da Fifa.

A reversão provocou uma onda de críticas no mundo do futebol. O ex-presidente da Fifa Joseph Blatter publicou nas redes sociais que “cartões vermelhos não são revertidos por telefonemas políticos”, questionando os rumos da entidade. A Uefa classificou a decisão como “incompreensível e injustificável” e disse que a Fifa “cruzou uma linha vermelha”. Técnicos como o norueguês Ståle Solbakken e o inglês Thomas Tuchel também criticaram publicamente a medida, assim como o ex-jogador inglês Gary Neville.

Na nota divulgada hoje, a Fifa faz questão de separar dois pontos: o cartão vermelho mostrado a Balogun em campo não foi revertido; apenas os efeitos da suspensão automática de um jogo dele decorrente foram suspensos, com base no Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa. A entidade também afirma que seus órgãos judiciais são estatutariamente independentes e que o uso desse artigo não é inédito, citando precedentes nas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Leia os principais trechos da nota:

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Em primeiro lugar, o Comitê Disciplinar da Fifa (como qualquer outro órgão judicial da Fifa) é independente, conforme previsto no Estatuto da Fifa e no Código Disciplinar da Fifa. Os presidentes, vice-presidentes e demais membros dos órgãos judiciais da Fifa atendem aos critérios de independência definidos no Regulamento de Governança da Fifa, para garantir sua imparcialidade.

Em segundo lugar, o Comitê Disciplinar da Fifa não reverteu a expulsão determinada em campo pelo árbitro contra o sr. Balogun; pelo contrário, o Comitê Disciplinar da Fifa manteve a suspensão de um jogo do sr. Balogun decorrente do cartão vermelho recebido em 1º de julho de 2026. O Comitê Disciplinar da Fifa decidiu apenas sobre as sanções disciplinares adicionais a serem impostas em razão do cartão vermelho.

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Nos termos do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa, o Comitê Disciplinar da Fifa tem discricionariedade para suspender a aplicação de qualquer medida disciplinar, desde que não relacionada a manipulação de resultados — o que, evidentemente, não ocorreu neste caso. Cabe acrescentar que o uso do Artigo 27 não é inédito, já que decisões semelhantes foram proferidas anteriormente durante as eliminatórias da Copa do Mundo Fifa 2026.

Não há disposições no Código Disciplinar da Fifa nem no Regulamento da Copa do Mundo Fifa 26™ que proíbam o Comitê Disciplinar da Fifa de exercer sua discricionariedade nos termos do Artigo 27 do Código Disciplinar da Fifa. O exercício dessa discricionariedade é plenamente consistente com os princípios gerais que orientam a determinação da sanção disciplinar aplicável, conforme o Artigo 25 do Código Disciplinar da Fifa.

Rever as consequências jurídicas de cartões vermelhos no futebol não é novidade no jogo moderno. Na maioria das principais ligas filiadas a associações membros da Uefa, por exemplo, a reversão de cartões vermelhos é uma medida disciplinar comum, o que nunca levantou preocupações quanto à violação de qualquer “linha vermelha”. E, mais uma vez, é preciso enfatizar que, na decisão em questão, o cartão vermelho não foi revertido. Suspender os efeitos de um cartão vermelho com base em uma disposição explícita do regulamento aplicável é uma medida bem mais equilibrada.

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Fonte: veja.abril.com.br

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