HomeEsportesO comovente craque ao som de um dos grandes clássicos dos Beatles

O comovente craque ao som de um dos grandes clássicos dos Beatles

Quem já viu um show de Paul McCartney em ginásios e estádios – e apenas no Brasil ele esteve onze vezes, desde 1990 – teve a comovente sensação de entoar, em uníssono, o refrão e os versos de uma das mais lindas canções de todos os tempos, um hino adesivo, que soará no futuro como uma sonata de Mozart. Hey Jude foi escrita por Paul em 1968 para Julian Lennon, filho de John, então com 5 anos. A música pretendia confortar o menino durante o processo de divórcio dos pais. Na ideia original, foi batizada de Hey Jules, mas não combinou com a melodia, e então Paul a rebatizou. Hey Jude, don’t make it bad/Take a sad song and make it better/Remember to let her into your heart/ Then you can start to make it better// Hey Jude, don’t be afraid/You were made to go out and get her/ The minute you let her under your skin/ Then you begin to make it better.”

Talvez não tenha ocorrido cena mais comovente, em uma Copa de imagens comoventes, do que a do meio inglês Jude Bellingham diante da torcida no estádio de Miami ouvindo os fãs cantando Hey Jude, depois da vitória contra a Noruega de Haaland. Sim, é empolgante também a celebração com o Wonderwall, do Oasis, liderada pelo capitão Harry Kane. Mas o rosto bonito de Bellingham ouvindo a canção dos Beatles, a canção de Paul, de braços erguidos, nos faz até achar que as redes sociais são bem-vindas, afeitas a eternizar, em eterna repetição, um trecho da civilização como deveria ser, ou como disse o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a VEJA: “A Copa do Mundo é exemplo de como o mundo poderia ser”. Bellingham é como queríamos que Neymar fosse, mas nunca chegará lá. Não pelo futebol, ou não apenas pelo futebol, mas pelo jeito de ser. Durante a Copa, ao lado de muitos poucos, como Messi, Bellingham fez questão de parar na chamada “zona mista”, aquele corredor insano em que os repórteres fazem perguntas aos jogadores, para um jornalista da Venezuela cadeirante e com paralisia cerebral. Carinhoso, Bellingham ofereceu seu tempo ao profissional. Nas entrevistas, parece calmo e objetivo.

O camisa 10, do Real Madrid, foi promessa na Copa de 2022, em desempenho apenas razoável. Nos últimos meses, andava escondido mesmo na equipe madrilenha. Chegou ao torneio de 2026 à sombra de Harry Kane, mas então explodiu. Elegante, de passadas largas, 1m83 – os brasileiros mais idosos dizem lembrar Didi –, um meio-campista à antiga, virou o grande nome da seleção da Inglaterra, especialmente com os dois gols marcados contra a Noruega. Tem 6 tentos, a mesma quantidade de Kane. Está atrás, na artilharia, apenas de Messi e Mbappé, com 8, e de Haaland, com 7, que já voltou para casa. Discreto, caminha para se tornar o herói improvável da Copa de 2026, o que não é pouca coisa para quem veste a camisa dos criadores do futebol. Aos 23 anos, tem histórias de gente grande. Aos 17 anos, quando deixou o Birmingham rumo ao Borussia Dortmund, da Alemanha, o clube aposentou a camisa 22 em sua homenagem. É um caso raro para um jogador tão jovem, que havia disputado apenas 44 partidas pelo time principal do Birmingham. Tem 86 gols na carreira, doze dos quais pela equipe dos Três Leões, que busca o bicampeonato mundial.

Já faz parte, de qualquer modo, de um grupo de elite. Paul Gascoigne foi a estrela da Inglaterra na Copa do Mundo de 1990. Michael Owen se consagrou como um astro adolescente em 1998 e Kane se tornou o primeiro inglês a ganhar a Chuteira de Ouro desde 1986 (Gary Lineker, em outra campanha icônica em Copas do Mundo) ao marcar seis gols em 2018. Bellingham é diferente. Em termos de energia, essência e “aura” de protagonista em grandes jogos, a Inglaterra já teve algum jogador como ele em Copas do Mundo? Talvez não. Wayne Rooney tinha aquela energia contagiante, do tipo “este é o meu jogo”, mas nunca conseguiu corresponder às expectativas em nível mundial, marcando apenas um gol em 11 jogos de Copa do Mundo. David Beckham conseguia inspirar e conduzir a Inglaterra à vitória, com garra e dedicação, e não necessariamente por meio de jogadas individuais brilhantes. O único jogador comparável é Steven Gerrard, de quem Bellingham lembrou de forma assustadora quando, brilhantemente, invadiu a área para marcar o segundo gol contra a Noruega.

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Jogador de futebol com camisa branca e número 10, shorts azul-marinho e meias brancas, pulando comemorando um gol em campo de grama verde, com torcida ao fundo. A palavra HEY está em destaque no topo da imagem
A homenagem da conta dos Beatles ao craque da Inglaterra: elegânciaEngland Football Team/Reprodução

A semifinal contra a Argentina será páreo duro, mas ter a Inglaterra vencedora carrega uma perspectiva agradável: ver e ouvir uma, duas vezes, a cantoria em homenagem ao craque, que foi também celebrado por uma das contas oficiais dos Beatles na internet, que debaixo da palavra “hey” pôs a foto do atleta. And anytime you feel the pain/ Hey Jude, refrain/ Don’t carry the world upon your shoulders/ For well you know that it’s a fool who plays it cool/ By making his world a little colder”. Jude Bellingham não precisa levar o mundo nas costas, tampouco a seleção da Inglaterra, mas virou um dos mais queridos e competentes personagens do verão americano de 2026. Hey Jude, vá em frente.

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Fonte: veja.abril.com.br

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