
Apresentado oficialmente como o novo treinador de Portugal para o ciclo da Copa do Mundo de 2030, Jorge Jesus aproveitou a sua primeira grande entrevista no cargo para trazer à tona revelações sobre os bastidores do futebol brasileiro. Em conversa com o Canal 11, o ex-comandante do Flamengo e do Al Hilal abriu o jogo sobre as tratativas que teve com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o quão perto esteve de assumir a seleção canarinho antes de a entidade focar no italiano Carlo Ancelotti.
Com a sua habitual franqueza, o “Mister” detalhou que as negociações com a entidade máxima do futebol brasileiro avançaram a um ponto em que ele já atuava, nos bastidores, como o virtual treinador do Brasil. Segundo Jesus, a CBF chegou a lhe passar indicações para que começasse a esboçar uma pré-convocação. O planejamento visava os compromissos da equipe no mês de março, período que sucederia uma goleada de 4 a 1 sofrida para a Argentina. Essa confissão evidencia que a confederação mantinha o nome do português como um plano real e ativo nos corredores da Granja Comary.
Ainda refletindo sobre o que seria a sua seleção brasileira, Jorge Jesus garantiu que não faria uma revolução drástica no trabalho que Carlo Ancelotti acabou assumindo. O português revelou que concorda com a grande maioria das escolhas do italiano e que alteraria apenas de um a três nomes da atual lista de convocados. Para ele, a verdadeira diferença entre o seu comando e o de Ancelotti não residiria nas peças selecionadas, mas sim na imposição de sua metodologia de treinos e na forma intensa de enxergar o jogo taticamente.
Entre as poucas mudanças que faria, uma delas tem nome e sobrenome conhecidos da torcida rubro-negra. Jesus fez questão de rasgar elogios a Pedro, cravando que o jogador do Flamengo é, atualmente, o melhor centroavante em atividade no Brasil. Mesmo admitindo com bom humor que sua opinião poderia soar “um pouquinho tendenciosa” devido ao passado vitorioso que construíram juntos em solo carioca, o técnico deixou claro que o atleta seria presença indiscutível na sua formação.
Agora focado em levar Portugal — país que ele mesmo apelidou de “o Brasil da Europa” devido à fartura de talentos ofensivos — ao título mundial em casa, Jorge Jesus deixa para trás o sonho de treinar a equipe brasileira. O flerte intenso com a CBF fica marcado como um dos grandes “e se…” do futebol contemporâneo, revelando negociações avançadas que acabaram frustradas nos bastidores políticos da bola.
Fonte: veja.abril.com.br
