
Na Copa do Mundo que nos habituamos a celebrar, durante mais de um mês, como a das grandes estrelas — Messi, Mbappé, Haaland, Cristiano Ronaldo, Harry Kane e Vinicius Jr. —, venceu o jogo coletivo, bem organizado, mas para muitos burocrático, da Espanha do fenomenal volante Rodri. A Fúria, como sempre foi chamada a seleção ibérica, e que hoje é o avesso do vermelho temperamental, mais cérebro do que coração, é agora bicampeã — venceu também em 2010. O rei da Espanha, Felipe VI, ao receber o treinador Luis de la Fuente e os 26 jogadores, tratou de celebrá-los com uma frase certamente costurada com cuidado: “Vocês fizeram isso por toda a Espanha”. Soa evidente que tenham erguido a taça pelo país — e os mais de 2 milhões de pessoas pelas ruas da capital celebraram a conquista na madrugada de segunda-feira, 20, para terça-feira, com a alegria das movidas madrilenhas. Contudo, há uma interessante característica espanhola, que não pode ser desdenhada e que, já no gramado do estádio de Nova Jersey, explodiu em cores. Alguns dos jogadores fizeram questão de exibir as bandeiras de suas regiões — a Catalunha, a Andaluzia, o País Basco. Poucas nações convivem com tantos humores separatistas quanto a Espanha. Havia, na seleção, oito atletas do Barcelona — e, porém, a celebração catalã foi mais discreta. Eis que o futebol, ao ultrapassar as linhas para abraçar a sociedade, pode vir a funcionar como ímã de congregação. O diário La Vanguardia, de Barcelona, anotou: “O resultado é uma imagem magnífica de uma Espanha federal, unida e comprometida. Bom demais para ser verdade”.
Publicado em VEJA de 24 de julho de 2026, edição nº 3005
Fonte: veja.abril.com.br
